A Engenharia Genética
CANDEIAS, José Alberto Neves. A engenharia genética. Rev. Saúde Pública [online]. 1991, vol.25, n.1, pp. 3-10. ISSN 0034-8910.
“Falar de engenharia genética é caracterizar um conjunto de processos que permitem a manipulação do genoma de microrganismos vivos, com a conseqüente alteração das capacidades de cada espécie. Esta possibilidade de alteração das potencialidades genéticas dos organismos resultou da colaboração íntima e constante entre a chamada ciência básica e a ciência aplicada. Não que tal colaboração tenha sido programada com vistas a tornar realidade aquela intervenção.” (p.3)
“As técnicas de engenharia genética ou, mais corretamente, a tecnologia de ADN recombinante (ADNr), começaram a ser definidas no início do ano de 1970, com a utilização de vetores de clonagem, em geral, plasmídeos e genomas virais, lançando-se mãos das chamadas enzimas de restrição que permitiam cortar o ADN em pontos bem definidos, isolando-se assim fragmentos de ácido nucléico passíveis de serem introduzidos no genoma de um organismo com moléculas idênticas de ADN. É a chamada clonagem molecular, em que, numa primeira operação, repetimos, se procede ao corte da molécula do ácido nucléico e, numa segunda fase, à inserção do fragmento do ADN no ácido nucléico de uma célula hospedeira compatível.” (p.3)
“Os plasmídeos encontram-se em bactérias e em algumas leveduras e têm a capacidade de duplicarse autonomamente, possuindo, em geral, genes que lhes conferem resistência a antibióticos, como a ampicilina e a tetraciclina. São estes genes que permitem distinguir células hospedeiras que possuem o ADNr das células que não o possuem.” (p.4)
“Na tecnologia do ADNr a participação das enzimas ou endonucleases de restrição é da maior importância. Cada enzima possui um padrão específico de corte da molécula de ADN, do que resulta uma série de fragmentos genômicos que podem ser isolados, clonados e seqüenciados.” (p.4)
“Os elementos que formam os bancos genômicos são, como já referimos, clones de ADN do genoma de determinado organismo vivo, clones estes obtidos com vectores como, por exemplo, bacteriófagos, que aceitam inserções de grandes tamanhos. Estas inserções têm a vantagem de permitir a obtenção de todo o genoma em um número reduzido de clones, ou, por vezes, do gene intacto em um único clone.” (p.4)
“A identificação do clone pode ser feita por hibridização de sondas de ADN ou ARN marcadas radioativamente, com as bases complementares do clone, sendo a localização feita por autoradiografia.” (p.5)
“Depois que passamos a conhecer a configuração genética dos organismos vivos, pelo exame do seu ADN, foi-nos colocado à disposição um importante componente das técnicas de diagnóstico, quer este se dirija à identificação de doenças de fundo genético, quer ao desenvolvimento de novos métodos de diagnóstico de doenças infecciosas, ou ao próprio diagnóstico laboratorial.” (p.6)
“A engenharia genética permite ainda produzir anticorpos monoclonais, mediante a clonagem em bactérias de genes capazes de fazerem sua codificação. Este tipo de anticorpos encontra importante aplicação no diagnóstico clínico, e na própria intervenção terapêutica.” (p.7)
“Confrontando-se os benefícios com os riscos que as técnicas do ADNr podem acarretar para a humanidade, não há como não aceitar que a controvérsia continuará envolvendo cientistas, educadores, políticos e o público em geral, sejam quais forem os argumentos apresentados. Do mesmo modo, continuarão as pesquisas no campo da engenharia genética, com benefícios reais para a humanidade e com riscos teóricos, que sempre podem, é claro, adquirir foros de realidade. Mas isto é próprio da natureza humana. Que os assuntos sobre que possa cair nossa reflexão a respeito desta controvérsia sejam ou não relevantes é questão sempre sujeita a discussão: uns preferirão argumentos a favor, a outros agradarão mais argumentos contrários.” (p.9)
3 de jun. de 2011
Gincana, tarefa 03 - Fichamento 5
A síndrome de Down e sua patogênese: considerações sobre o determinismo genético
MOREIRA, Lília MA; EL-HANI, Charbel N e GUSMAO, Fábio AF. A síndrome de Down e sua patogênese: considerações sobre o determinismo genético. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2000, vol.22, n.2, pp. 96-99. ISSN 1516-4446.
“Além do atraso no desenvolvimento, outros problemas de saúde podem ocorrer no portador da síndrome de Down: cardiopatia congênita (40%); hipotonia (100%); problemas de audição (50 a 70%); de visão (15 a 50%); alterações na coluna
cervical (1 a 10%); distúrbios da tireóide (15%); problemas neurológicos (5 a 10%); obesidade e envelhecimento precoce. Em termos de desenvolvimento, a síndrome de Down, embora seja de natureza subletal, pode ser considerada geneticamente letal
quando se considera que 70–80% dos casos são eliminados
prematuramente.³” (p.97)
“Deve ser também ressaltado que as habilidades intelectuais do
Down têm sido historicamente subestimadas. Estudos contemporâneos mostram que a maioria dos Down tem um desempenho na faixa de retardo mental entre leve e moderado. A melhor capacidade cognitiva tem sido atribuída ao mosaicismo cromossômico, além de outros fatores como o conjunto genético do indivíduo e
a influência de fatores epigenéticos e ambientais.” (p.97)
“O cromossomo 21, o menor dos autossomos humanos, contém cerca de 255 genes, de acordo com dados recentes do Projeto Genoma Humano. A trissomia da banda cromossômica 21q22, referente a 1/3 desse cromossomo, tem sido relacionada
à s c a r a c t e r í s t i c a s d a s í n d r ome . O r e f e r i d o s e gme n t o
cromossômico apresenta, nos indivíduos afetados, as bandas características da eucromatina correspondente a genes estruturais e seus produtos em dose tripla.” (p.97)
“O g e n e c o r r e s p o n d e n t e f o i ma p e a d o n a b a n d a
cromossômica 21q21.5 e vários fragmentos da sua molécula foram associados com a inibição da serina protease, adesão celular, neurotoxicidade e crescimento celular. A sua função se manifesta no desenvolvimento do sistema nervoso central, onde
é sintetizada tanto em neurônios quanto em células glíares
(astrócitos).” (p.97)
“Os estudos referidos nessa seção permitem elaborar a hipótese de que, por meio da experiência ativa obtida por estimulação, pode ser construído um novo padrão de comportamento em pessoas com síndrome de Down, levando a modificações funcionais. Na exata medida em que evidencia a plasticidade fenotípica dos afetados, o sucesso das intervenções psicomotoras e pedagógicas na síndrome de Down mostra como não se pode afirmar que o conjunto fenotípico dessa síndrome seja determinado geneticamente, a despeito de não haver qualquer dúvida quanto ao papel crítico da
trissomia da banda cromossômica 21q22 em sua história natural.” (p.98)
Gincana, tarefa 03 - Fichamento 4
OS DISTÚRBIOS FONOARTICULATÓRIOS NA SÍNDROME DE DOWN E A INTERVENÇÃO PRECOCE
BARATA, Lívia Fernandes e BRANCO, Anete. Os distúrbios fonoarticulatórios na síndrome de Down e a intervenção precoce. Rev. CEFAC [online]. 2010, vol.12, n.1, pp. 134-139. ISSN 1516-1846.
“A John Down foi atribuída a primeira descrição pormenorizada e criteriosa de um distúrbio denominado mongolismo ou idiotia mongoloide, supondo
que muitos dos sintomas presentes no paciente que estava estudando, fossem típicos do grupo étnico mongol. Com o passar do tempo, tal ponto de vista foi descartado em função do rótulo racialmente pejorativo de mongolismo, dando lugar à designação atual de Síndrome de Down (SD).
Descobriu-se ao longo dos anos que esses indivíduos possuíam um cromossomo extra, ao invés de dois cromossomos 21, o que levou ao termo
Trissomia do 21.” (p.134)
“O paciente apresenta cavidade oral de tamanho
reduzido, alterações nos órgãos que compõem o
sistema estomatognático, ocasionando distúrbios
fonoarticulatórios. A hipotonia muscular provoca um desequilíbrio de forças entre os músculos orais e faciais, alterando a arcada dentária, dando um aspecto de projeção mandibular e contribuindo para que a língua assuma uma posição inadequada. A
respiração oral, além de deixar a criança mais suscetível a infecções respiratórias, altera seu palato e dificulta a articulação dos sons, sendo a fala um dos
maiores problemas existentes nestes indivíduos.” (p.134)
“Pela diversidade da problemática encontrada nos pacientes com SD, é necessário que os pais e os profi ssionais da saúde atuem com muita atenção no sistema estomatognático (SE), neste caso, no sentido de estimular as funções fisiológicas, sendo que, com o crescimento crânio-facial encerrado e a musculatura aderida às bases ósseas, os resultados poderão ser parciais.” (p.135)
“A fi m de atender aos objetivos propostos, elaborou-se um estudo exploratório descritivo, feito através de um levantamento bibliográfi co, dos últimos 50 anos (1959-2009), utilizando-se as bases de dados LILACS e PUBMED, livros (encontrados
em bibliotecas de instituições de ensino e pesquisa) e periódicos da área, nos idiomas português, inglês e espanhol.” (p.135)
“O tamanho médio da mandíbula na SD não é, significativamente, maior do que nas pessoas normais. O que ocorre é um posicionamento anterior da face. O crescimento e o desenvolvimento anormais da mandíbula podem também ser causados pela
hipotonia dos músculos temporal e masseter, hiperfuncionalidade das articulações temporomandibulares, respiração oral, língua alojada na parte anterior da cavidade oral, modo adaptado de deglutir, além do insuficiente crescimento ântero-posterior e
vertical. A classe III também pode ser resultado da função e postura da língua. Alguns casos de classe III são verdadeiros casos de prognatismo. Muitos fatores estão associados à mordida aberta anterior, como crescimento defi ciente da maxila acompanhado do pressionamento da língua e doenças periodontais.” (p.136)
“Quanto à hipotonia, quando acentuada, pode ocasionar uma menor movimentação dos órgãos fonoarticulatórios (OFAs), refl etindo em imprecisões articulatórias, substituições ou distorções de sons. Além da hipotonia e hipomobilidade, a falha
na propriocepção de lábios pode levar à omissão ou distorção dos sons bilabiais.” (p.136)
“É importante sanar ou minimizar aspectos físicos que possam prejudicar a articulação e produção vocal por meio de exercícios para fortalecimento da musculatura, adaptação de próteses dentárias ou auditivas. A linguagem representa um dos aspectos mais importantes a ser desenvolvido por qualquer criança, para que possa se relacionar com as demais pessoas e se integrar no meio social.” (p.136)
“A defi ciência mental está relacionada a uma lentidão um pouco maior de aprendizado e obtenção de conhecimento. A dificuldade se dá em desenvolver o lado simbólico, ou seja, conceitos abstratos como passado e futuro. Assim, o aprendizado é muitas vezes realizado por meio dos sentidos. Por isso, todo o tipo de estimulação é a chave para a vida mais saudável e rica em experiências. Além disso, existe uma evidência de que crianças com SD mostram diferenças no processamento da informação em seu desenvolvimento.” (p.137)
“Caracterizar os aspectos fonoarticulatórios dos sujeitos com Síndrome de Down pode proporcionar uma melhor compreensão das alterações inerente a essa população, podendo estas ser abordadas na reabilitação em suas diversas modalidades, servindo como parâmetro na evolução terapêutica.” (p.138)
Gincana, tarefa 03 - Fichamento 3
O papel dos gestos no desenvolvimento da linguagem oral de crianças com desenvolvimento típico e crianças com síndrome de Down
FLABIANO-ALMEIDA, Fabíola Custódio e LIMONGI, Suelly Cecilia Olivan. O papel dos gestos no desenvolvimento da linguagem oral de crianças com desenvolvimento típico e crianças com síndrome de Down. Rev. soc. bras. fonoaudiol. [online]. 2010, vol.15, n.3, pp. 458-464. ISSN 1516-8034.
“Os gestos são definidos como ações produzidas para fins de
comunicação, geralmente realizados usando-se os dedos, mãos
e braços, mas podendo também incluir movimentos faciais
e corporais. Tradicionalmente, os gestos são divididos em .
duas categorias: dêiticos e representativos.” (p.458)
“Os dêiticos seriam aqueles utilizados para estabelecer um referencial, indicando
um objeto ou evento e, portanto, sua interpretação depende
do contexto em que é realizado. Já os gestos representativos
apresentam conteúdo semântico específico. Tais gestos podem
se referir a objetos, significando alguma de suas características (gestos simbólicos), como por exemplo, o gesto de abrir e fechar a mão em frente à boca (comer), ou ser definidos culturalmente (gestos convencionais), como por exemplo,
os gestos de dar tchau e de mandar beijo, em que não há um
objeto ou ação específica a ser representada.” (p.458)
“Nas últimas décadas, muitos estudos têm investigado o valor preditivo dos gestos, tanto em relação aos aspectos lexicais quanto em relação aos aspectos sintáticos da linguagem. As evidências têm mostrado que os gestos funcionam não apenas como elemento de transição entre as ações motoras e a linguagem oral, mas também como facilitador do processo de produção da fala, fornecendo à criança, nos estágios iniciais do desenvolvimento da linguagem, recursos cognitivos extras, que permitem representar e comunicar ideias mais complexas, enquanto ainda não conseguem fazê-lo exclusivamente por meio da fala.” (p.459)
“A relação entre o uso de gestos e o desenvolvimento lexical tem sido amplamente estudada. Pesquisas recentes têm demonstrado que os gestos não apenas precedem, mas também são preditivos do vocabulário, tanto expressivo quanto receptivo, em crianças com DT.Estudo anterior demonstrou que os itens encontrados inicialmente no repertório gestual de crianças com DT foram observados em seu vocabulário expressivo três meses após terem sido observados em forma de gestos.” (p.459)
“Muitos estudos têm sugerido que as crianças com SD apresentam preferência pelo meio comunicativo gestual ao meio verbal em função das dificuldades na linguagem
oral, especialmente em relação aos aspectos fonológicos e morfossintáticos.” (p.459)
“...as crianças com SD parecem apresentar alguma dificuldade específica no processo de transição das combinações de gesto e palavra para as combinações de duas palavras, especialmente em relação às combinações suplementares, as quais são consideradas preditores confiáveis das primeiras combinações de duas ou mais palavras.” (p.561)
“Uma possível explicação é a de que a emergência das combinações de duas palavras não apenas requer a habilidade cognitiva de combinar dois elementos semânticos, mas depende também de habilidades linguísticas adicionais que podem estar atrasadas ou comprometidas nas crianças com SD . Se essas habilidades linguísticas forem apenas atrasadas, o intervalo entre o início das combinações suplementares de gesto e palavra e o início da produção de combinações de duas palavras seria apenas mais longo, ou seja, as crianças com SD precisariam de um período de tempo maior para
desenvolver tais habilidades linguísticas específicas.” (p.561)
“Em relação à criança com SD, a literatura aponta que essas crianças geralmente apresentam dificuldades para prestar atenção a estímulos externos, são menos interativas e menos responsivas e, consequentemente, menos engajadas em atividades de jogo e brincadeira com seus pais.” (p.561)
“A revisão de literatura apresentada neste estudo mostrou grande variedade de achados relacionados ao papel dos gestos durante o processo de desenvolvimento da linguagem oral. De maneira geral, os resultados sugerem que, por meio dos gestos, a criança tem a oportunidade de se referir a objetos cujos nomes ainda não consegue expressar verbalmente e de praticar a construção de estruturas sintáticas mais complexas, enquanto ainda não consegue expressá-las inteiramente por meio da fala.” (p.562)
“Além disso, as dificuldades de manter a atenção em atividades compartilhadas e a produção de gestos de forma breve e confusa relatadas em crianças com SD, associadas a comportamentos menos sensíveis e responsivos de seus pais, também podem contribuir para as dificuldades de expressão verbal dessas crianças, visto que interferem no recebimento do input adequado e favorável ao desenvolvimento da linguagem oral.” (p.563)
Fichamento 2
AMAMENTAÇÃO EM CRIANÇAS COM SÍNDROME DE DOWN: A PERCEPÇÃO DAS MÃES SOBRE A ATUAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE
AMORIM, Suely Teresinha Schmidt Passos de; MOREIRA, Herivelto e CARRARO, Telma Elisa.Amamentação em crianças com síndrome de Down: a percepção das mães sobre a atuação dos profïssionais de saúde. Rev. Nutr. [online]. 1999, vol.12, n.1, pp. 91-101. ISSN 1415-5273.
“Embora o aleitamento materno seja um processo biológico, seus modelos de aprendizagem e manifestação são de origem social. Por isso, “ ... para ser
bem sucedida nessa prática, a mulher necessita de apoio da sociedade” (Hardy & Osis, 1991).” (p.92)
“As vantagens do aleitamento materno, tanto no que se refere ao aspecto nutricional e imunológico, quanto no estabelecimento do vínculo afetivo entre mãe e filho, são fartamente comprovadas na literatura. O incentivo a sua prática passou a ser enaltecido a partir do momento em que organismos nacionais e internacionais passaram a acreditar que podem ser reduzidas as taxas de morbidade e mortalidade infantil, principalmente nos países em desenvolvimento.” (p.92)
“A Síndrome de Down, também conhecida por trissomia do 21, é uma alteração genética caracterizada por um cromossomo extra do par 21 acrescido ao par
normal, resultando em alterações físicas e mentais do indivíduo.” (p.92)
“Embora o bebê com Síndrome de Down deva receber aleitamento materno, sua sucção é insuf@����
“Este estudo é parte de uma dissertação de Mestrado em Educação que trata da dimensão humana na formação dos profissionais de saúde, especialmente
em relação à Síndrome de Down e ao aleitamento materno.” (p.93)
“T o d a s a s mãe s e n t r e v i s t a d a s t e n t a r am amamentar seus filhos, o que vem corroborar o estudo de Oliveira Filho et al. (1986), que evidenciam uma
predisposição natural das mães para amamentar. Verificou-se que a idade das mães, por ocasião do nascimento do filho, variava de 19 a 39 anos. Seis mães têm formação universitária, e a maioria delas não exerce atividade fora de casa.” (p.93)
“De acordo com os dados dessa pesquisa, a forma como foi transmitida a notícia do
nascimento de um filho com Síndrome de Down para a mãe e o impacto desse fato no seu estado emocional, foi um fator importantíssimo para a concretização ou
não da amamentação. Esse fato foi decisivo também, na relação da mãe com o profissional de saúde - geralmente o pediatra - e conseqüentemente na orientação
e estímulo para o aleitamento. Devido a sua importância no contexto do tema, ela é a primeira categoria a ser interpretada e que foi elaborada a partir das falas das entrevistadas.” (p.94)
“Para a família que recebe a notícia do nascimento de uma criança com Síndrome de Down - depois de tantos sonhos e idealizações acerca do nascimento e futuro de seu filho - ouvir que ele não corresponde a todas as suas expectativas, que pelo contrário, é uma criança com limitações no seu desenvolvimento com as quais terá que conviver o resto da vida, é um momento dificílimo.” (p.94)
“Para algumas mães a notícia de que o filho nasceu deficiente foi seguida de outra também traumatizante, geralmente, sobre a existência de uma doença associada ou a necessidade de uma intervenção cirúrgica. Além das dúvidas geradas quanto ao
desenvolvimento e potencialidades de seu filho, as incertezas quanto ao futuro - próximo ou distante - enfim todo o processo de assimilação e aceitação de
uma criança deficiente, vem a insegurança quanto a sua sobrevivência...” (p.94)
“Sucção insuficiente devido ao tônus muscular diminuído (Cooley & Graham, 1991), problemas cardíacos ou outras complicações que levam a cirurgias e a internamentos, bem como a condição emocional da mãe - determinada especialmente pelo impacto da notícia - são fatores que podem dificultar ou até impedir o aleitamento materno em crianças com Síndrome de Down.” (p.95)
“Anna, teve seus 2 filhos com Síndrome de Down e ape s a r de a lguns probl ema s ini c i a i s relacionados com a dificuldade de sucção e mamilo plano, amamentou ambos por um período superior a 6 meses. Seu primeiro filho além da Síndrome de Down, apresentava um quadro de leucemia e por isso, sua segunda gravidez não foi planejada e nem desejada. Entretanto, apesar de todos esses problemas, associados
a notícia do nascimento de outra criança sindrômica, apresentando ainda refluxo esofágico, ela conseguiu amamentar. Para essa mulher, assim como para outras
que fizeram parte desse estudo, a amamentação é algo natural e inquestionável. Ter um filho significa também amamentá-lo.” (p.96)
“Todas as mães que fizeram parte desse estudo
desejaram amamentar seus filhos. Para algumas esse
desejo foi concretizado e o significado desse fenômeno
teve uma conotação muito diversa do que para aquelas
que não conseguiram.” (p.98)
“Na r ique z a dos depoimentos da s mãe s
entrevistadas, fica evidente a necessidade da formação
de profissionais humanos, com sensibilidade para
entender o sofrimento e a frustração que envolvem o
nascimento de um bebê com deficiência, e com
capacidade e competência para agir de forma adequada,
tanto na transmissão dessa notícia como na orientação
e apoio no momento da lactação. Espera-se que os
cursos de graduação e os profissionais já atuantes
saibam fazer uso dessas falas para ampliar seus
horizontes de ensino e aprendizagem.” (p.100)
Gincana, tarefa 03 - Fichamento 1
Uso de serviços odontológicos por pacientes com síndrome de Down
OLIVEIRA, Ana Cristina et al. Uso de serviços odontológicos por pacientes com síndrome de Down. Rev. Saúde Pública [online]. 2008, vol.42, n.4, pp. 693-699. ISSN 0034-8910.
“A síndrome de Down ou Trissomia do 21 representa a anomalia cromossômica mais comum da espécie humana. Nos últimos anos houve um grande progresso
no tratamento físico e mental de crianças com essa síndrome, resultando em um significativo aumento na sobrevida e maior integração à sociedade. A saúde bucal representa um aspecto importante para a inclusão social de pessoas com defi ciência.
Raramente as doenças bucais e as malformações orofaciais acarretam risco de morte, entretanto, causam quadros de dor, infecções, complicações respiratórias e problemas mastigatórios. Do ponto de vista estético, características como mau hálito, dentes mal posicionados, traumatismos, sangramento gengival, hábito de fi car com a boca aberta
e ato de babar podem mobilizar sentimentos de compaixão, repulsa e/ou preconceito, acentuando atitudes de rejeição social.” (p.694)
“A integralidade é um valor a ser defendido em todas as práticas de saúde, e não apenas naquelas pertencentes ao SUS. Para isso, é essencial que os serviços
ofereçam ações articuladas de promoção da saúde, prevenção dos fatores de risco, assistência aos danos e reabilitação.” (p.695)
“Considerando-se as diversas manifestações sistêmicas e bucais presentes na síndrome de Down, é primordial que a população acometida seja assistida de forma
integral pela equipe de saúde, incluindo a atenção odontológica. Tendo como perspectiva a prática da integralidade do atendimento, o presente estudo teve
por objetivo analisar os fatores relacionados à atenção odontológica recebida por crianças e adolescentes com síndrome de Down.” (p.695)
“Foi realizado um estudo transversal com amostra de conveniência composta por crianças e adolescentes com síndrome de Down na faixa etária entre 3 a 18 anos, e
suas mães. Eles foram recrutados em ambulatório de genética médica de um hospital materno-infantil na cidade do Rio de Janeiro, assistindo pacientes de vários estados brasileiros. Essa unidade hospitalar não conta com um serviço de atendimento odontológico local. Os dados foram coletados entre 11 de setembro e 30
de outubro de 2006.” (p.695)
“O diagnóstico de cárie dentária foi baseado nos critérios clínicos estabelecidos pela OMS ao se identificar a ausência ou presença de pelo menos uma lesão de cárie
dentária. A existência de mal oclusão foi diagnosticada com base em estudos anteriores: 7,8,13 indivíduos diagnosticados com pelo menos um caso de mordida
em topo, mordida cruzada posterior/anterior, mordida profunda, mordida aberta anterior ou sobressaliência. A higiene bucal foi avaliada por meio do Índice de Higiene Oral Simplifi cado (IHOS).” (p.695)
“Das crianças estudadas, 79,5% tinham ido ao menos uma vez ao dentista (IC 90% [72,3-87,8]), 79% pertenciam à classifi cação econômica menos favorecida. A idade média dos indivíduos com síndrome de Down era de 8 anos (±4 anos), 54% era do sexo masculino e 46% do sexo feminino. A idade média das mães era de 41
anos (±8 anos), 60 delas (54%) possuíam oito anos ou mais de estudo. No exame clínico foram identificados 83 (74%) crianças ou adolescentes com mal oclusão
e 41(37%) com pelo menos um dente com lesão de cárie dentária. A higiene bucal foi classifi cada como suficiente em 97 casos (87%).” (p.696)
“A variável “história prévia de cirurgia” evidenciou que aqueles indivíduos com síndrome de Down, cujas mães relataram que os mesmos já haviam
sido submetidos a alguma cirurgia apresentaram 2,5 vezes mais chance de já terem ido ao dentista (OR=2,5 [0,9; 7,1]). A idade das crianças/adolescentes mantevese associada à atenção odontológica após ajuste pelas variáveis do modelo, indicando que os sindrômicos na entre 12 e 18 anos possuem cerca de 13 vezes mais chance de já terem recebido algum atendimento odontológico (OR=13,1 [2,0; 86,9]).” (p.696)
“Vários problemas dentários associados à síndrome de Down podem ser eliminados ou minimizados em pacientes assistidos pelo dentista ainda na fase de dentição decídua. Segundo Conill (2004), na perspectiva da integralidade, não se pode desconsiderar o significado que recomendações de cunho preventivo podem ter na vida das pessoas. Muitas vezes, um problema dentário pode ser evitado caso o paciente receba cuidados preventivos antes da instalação ou agravamento.” (p.698)
“Em conclusão, a atenção odontológica recebida pelas crianças e adolescentes com síndrome de Down foi influenciada, além da idade, pela postura dos profi ssionais
que as assistem, mostrando a importância desses cuidadores atuarem com uma prática de atendimento integral.” (p.699)
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